
A governança corporativa não é um luxo reservado a grandes empresas, pelo contrário: ela é um mecanismo essencial para qualquer negócio que deseja crescer com organização, reduzir conflitos internos e tomar decisões mais estratégicas.
Além disso, quando segue boas práticas acaba impactando até na lucratividade dos negócios.
Você vai compreendê-la em detalhes no decorrer deste artigo e descobrir também o que fazer para a sua corporação crescer através dessa governança – com mais previsibilidade, segurança e profissionalismo.
Boa leitura!
O que é a governança corporativa?
O conceito de “governança corporativa” diz respeito a um sistema de regras, processos e estruturas criados para orientar como uma empresa é dirigida, monitorada e controlada.
Ele se baseia em princípios como transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade e, portanto, “define as regras do jogo”; dita como os gestores e líderes, principalmente, vão agir no dia a dia.
A governança corporativa estabelece:
- Quem decide o quê
- Como as decisões são tomadas
- Como resultados os são acompanhados
- Como os conflitos são resolvidos
Por isso, precisa ser pensada inclusive para pequenas empresas.
Governança corporativa faz sentido para pequenas empresas?
Sim, especialmente quando existem dois ou mais sócios ou há crescimento rápido ou conflitos frequentes sobre decisões financeiras ou estratégias.
Ainda, gestores de corporações de menor porte que desejam acessar crédito, investidores ou parcerias maiores costumam se dedicar ao aperfeiçoamento da governança.
As regras, os processos e as estruturas não precisam ser complexos ou burocráticos: precisam existir – e se basear em fundamentos específicos, como os que são apresentados no próximo tópico.
Os 4 pilares da governança corporativa para você conhecer
Aplicáveis a qualquer empresa, independentemente do porte, a transparência, a equidade, a prestação de contas (accountability) e a responsabilidade corporativa compõem uma boa governança.
Você vai perceber que, com o crescimento das corporações, esses pilares não podem ficar de lado ou ser alterados. Na verdade, duas coisas se alteram: o nível de formalidade e o nível de complexidade da estrutura em questão.
1. Transparência
O que é? O compartilhamento de informações relevantes de forma clara e acessível entre sócios, gestores e, quando aplicável, colaboradores.
Para que serve? Reduz desconfianças e evita conflitos futuros.
Exemplos: demonstrativos financeiros organizados, clareza sobre resultados mensais, comunicação aberta sobre metas e decisões estratégicas.
2. Equidade
O que é? Tratamento justo e proporcional – mas não necessariamente idêntico – entre os envolvidos, especialmente sócios.
Para que serve? Para que cada um tenha sua participação exata no que diz respeito às responsabilidades, aos investimentos e aos acordos firmados.
Exemplo: se um sócio trabalha na operação e outro é apenas investidor, a distribuição de lucros e pró-labore precisa respeitar essa diferença de papéis.
3. Prestação de contas (accountability)
O que é? Tudo o que diz respeito a quem toma decisões e deve responder por elas.
Para que serve? Sem prestação de contas, decisões viram opiniões soltas e isso fragiliza o negócio.
Exemplos: definição de responsáveis por áreas, estabelecimento de metas, avaliação periódica de resultados.
4. Responsabilidade corporativa
O que é? Ações ligadas à responsabilidade social e também à continuidade da empresa, sua reputação e seu impacto econômico. Envolvem visão de longo prazo e preocupação com a sustentabilidade do negócio.
Para que serve? Para garantir que decisões de curto prazo não comprometam o futuro da empresa, protegendo sua reputação, seu caixa e sua capacidade de continuar operando com solidez.
Exemplos: Planejamento financeiro estruturado, cumprimento de obrigações fiscais e trabalhistas, políticas éticas claras, preocupação com conformidade legal e gestão responsável de recursos.
P.S.: a todos esses pilares aplicam-se algumas boas práticas específicas também. Quer conhecê-las?
Lista de boas práticas de governança corporativa
Age certo quem trabalha para evitar conflitos entre os sócios, que geralmente surgem por falta de clareza, organizar pagamento de pró-labore (ligado à função exercida pelo sócio na empresa) vs. distribuição de lucros (ligada aos investimentos que cada um fez no negócio), melhorar a comunicação como um todo etc.
Portanto, age certo quem segue, pelo menos, as seguintes boas práticas:
- Definir claramente e por escrito os papéis de cada sócio
- Separar propriedade e gestão
- Estabelecer uma política forma de pró-labore
- Fazer e seguir acordos formais de distribuição de lucro
- Separar reuniões “de família” das empresariais, no caso de empresas familiares
- Definir critérios técnicos para contratar parentes, também nesse caso
- Estruturar com estratégia e assertividade qualquer plano de sucessão
- Realizar reuniões periódicas com registros
- Acompanhar indicadores básicos de desempenho
- Criar e aplicar um código de conduta básico
- Estabelecer prestação de contas regular entre os envolvidos
- Estruturar políticas internas para toda a empresa*
- Definir critérios claros de promoção e avaliação*
- Mediar conflitos organizacionais*
- Fortalecer a cultura*
*Percebe como alguns aspectos podem caber ao RH ou DP, e todos acabam distribuindo responsabilidades nessa empreitada?
Juntos, com essas boas práticas, gestores e líderes chegam a um modelo mínimo viável de governança, e toda a empresa sai ganhando tanto no clima organizacional quanto no fluxo de caixa e assim por diante!
E governança corporativa pode melhorar o lucro de uma empresa?
Sim, apesar de não aumentar as vendas diretamente, porque melhora a qualidade das decisões, a previsibilidade financeira, o controle de riscos e a confiança de stakeholders, criando um caminho para a empresa crescer de forma mais sustentável.
“Preciso escolher um tipo de governança corporativa para aplicar? Qual é melhor para uma empresa pequena?”
Corporações maiores costumam atuar como sociedades anônimas, empresas de capital fechado ou empresas familiares estruturadas. Há, ainda, modelos mais recentes, como o de governança aplicada a startups (com foco em investidores e escalabilidade). E, se você tem um negócio pequeno, pode adaptar uma ou mais versões, sem problemas.
| Tipos de governança corporativa | ||
|---|---|---|
| Nome | Estrutura e formalidade | Empresas que aderem |
| Tradicional (S/A) | Conselho de admnistração; alto nível de formalidade | Grandes empresas e companhias abertas |
| Capital fechado | Conselho consultivo opcional; formalidade média | Empresas estruturadas, mas sem capital aberto |
| Familiar | Foco em sucessão e separação família vs. gestão; formalidade variável | Empresas familiares, como o nome já diz |
| Startups/ Pequenas empresas | Regras claras e acordos simples, mas existentes e cumpridos | Negócios em crescimento |
Atente-se! Pequenas empresas não precisam replicar o modelo das grandes. É recomendado, inclusive, que os princípios da governança corporativa sejam adaptados à sua realidade.
Como implementar governança corporativa numa pequena empresa?
Sabendo como agir, coloque a mão na massa! Guarde esta observação importante: mais do que um conselho formal, você precisa de uma organização básica nesse momento.
Enumeramos um passo a passo que vai te ajudar!
1. Defina responsabilidades e níveis de decisão
Certifique-se de estabelecer e registrar, com clareza, quem decide sobre contratações, investimentos, dívidas, distribuição de lucros, mudanças estratégicas etc.
2. Formalize regras essenciais
Crie ou atualize documentos importantes, como o contrato social, um acordo de sócios, um “livro” de políticas internas e outros.
3. Estruture indicadores e metas
Como governança sem números vira só opinião, garanta acompanhamento, registro e compartilhamento de indicadores financeiros e operacionais, como receita, margem, fluxo de caixa, endividamento e KPIs de RH (turnover e absenteísmo e outros).
Utilize-os nos rituais de prestação de contas.
4. Crie rituais de prestação de contas
Para todos estarem alinhados, estabeleça reuniões mensais com pauta definida e registro tanto das conversas quanto das decisões.
5. Separe sócios investidores de gestores, se houver
Se houver sócio investidor e sócio operador, deixe isso claro para todos, inclusive caso a empresa seja familiar. Faça o que for possível para evitar conflitos futuros.
6. Inclua a melhora da cultura organizacional no seu plano de governança
Aqui entram a criação de:
- Código de conduta
- Critérios de promoção
- Política disciplinar
- Mediação de conflitos
- Fortalecimento da cultura
E o desenvolvimento de líderes, por exemplo!
7. Finalmente, avalie se faz sentido criar um conselho consultivo
Quando sentir que pode ser benéfico, em fase de crescimento ou transição, considere criar um conselho consultivo, dando um grau a mais de formalidade para a governança.
O conselho consultivo não delibera, mas traz boas orientações, e pode contribuir com visões externas e com decisões baseadas na razão, não na emoção, então, talvez chegue a hora de implementá-lo.
Continue contando com as informações do blog da Gestaum Lab para garantir que o seu negócio e a sua gestão estão no caminho certo! Até a próxima!
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