Diagnóstico organizacional em passo a passo simples

Pare de tratar os sintomas dos problemas e comece a entender a causa deles na sua empresa! Entenda o que é e como aplicar um diagnóstico organizacional.

Diagnóstico organizacional em passo a passo simples

Quando um gestor faz um diagnóstico organizacional, está buscando entender por que determinados problemas de sua empresa continuam acontecendo, mesmo depois de serem tratados, por exemplo.

Esse tipo de mecanismo é uma análise aprofundada de como as coisas funcionam dentro da organização, ou seja, sem um bom diagnóstico de tempos em tempos, a tendência é que a gestão esteja focada nas consequências, não nas causas.

Explore mais o tema durante a leitura deste artigo e saia dele melhor preparado para eliminar retrabalhos e inconsistências.

O que é e para que serve um diagnóstico organizacional?

O diagnóstico organizacional é um processo estruturado de análise feito dentro de uma empresa para que seus gestores entendam como ela realmente funciona, identificando a relação entre problemas observados e as razões pelas quais eles ocorrem.

Esse diagnóstico, inclusive, representa a fase de compreensão do sistema defendida na teoria de desenvolvimento organizacional do psicólogo alemão Kurt Lewin. E vem antes de qualquer intervenção.

Ele considera as métricas de performance da organização, se elas são sustentáveis e se são fruto de um trabalho coletivo ou de um esforço individual, então, passa a funcionar como base para decisões que têm foco nas causas, não em percepções subjetivas.

O diagnóstico organizacional dá mais consistência aos resultados, mais previsibilidade à gestão e mais estabilidade aos processos.

O que analisar ao fazer diagnóstico organizacional?

Em vez de estudar indicadores-chave isoladamente, olhe para a empresa como um todo. Experimente buscar o alinhamento proposto pela McKinsey and Co., consultoria global, que envolve 7 aspectos:

  1. Estratégia – Há clareza de direção? O que foi planejado está sendo executado?
  2. Estrutura – Papéis, responsabilidades e níveis de decisão estão definidos?
  3. Sistemas – Como o trabalho acontece? Aqui entram fluxos, rotinas, padrões etc.
  4. Valores – O que realmente guia o comportamento da empresa e dos funcionários?
  5. Estilo – Que tipo de habilidades os líderes possuem? Como eles agem?
  6. Pessoas – A equipe é adequada à proposta do negócio?
  7. Competências – Quais capacidades o time domina e quais precisam melhorar?

No seu diagnóstico, você precisa descobrir se esses pontos estão alinhados.

Cuidado, por exemplo, com uma estratégia que exige crescimento rápido, mas processos que não escalam ou com uma liderança que cobra autonomia, mas mantém decisões centralizadas.

Cuidado também com discursos voltados à qualidade, mas que não podem ser amparados cotidianamente porque falta padronização operacional.

Passo a passo para um diagnóstico organizacional completo

Analise o sistema, entenda o problema e estruture uma explicação consistente do por que ele existe. Só depois disso faça qualquer mudança.

Siga estas etapas de ação:

1. Defina um foco

Qual problema será analisado e em qual área ou processo ele ocorre? Crie um recorte de estudo para poder observar detalhes de perto e sem distrações.

2. Colete informações

Levante relatos através de entrevistas com lideranças e pesquisas de clima organizacional e vá atrás de dados já disponíveis na empresa (indicadores, registros, avaliações de desempenho etc.).

Apenas lembre-se: qualidade importa mais do que quantidade de informações!

3. Entenda a operação real

Com os melhores dados devidamente filtrados e registrados e com anotações cautelosas de suas observações diretas de como o trabalho acontece, faça uma espécie de reconstrução do funcionamento da empresa.

Registre etapas de cada setor, quem decide, como as decisões são tomadas, onde existem gaps, ou seja, situações que acontecem fora do esperado etc. Aqui, você quer diferenciar o processo formal da realidade cotidiana.

4. Identifique padrões

Procure por problemas repetitivos, como falhas menos visíveis (mas frequentes) e que começam a aparecer a partir da sua investigação, ocorrências que precisam de um “jeitinho” para não ficarem travadas, dependência crítica de um colaborador específico etc.

5. Análise a causa desses padrões

O que sustenta os problemas? Pergunte-se sucessivos “por quês” até chegar na raiz deles. E saiba que essa raíz podem ser as pessoas, os métodos, o ambiente, as tecnologias, dentre tantas outras.

6. Consolide seu diagnóstico e comece as mudanças

Transforme tudo o que ficou identificado e constatado em um esquema utilizável, ou seja, em algo que sustente suas próximas decisões.

Responda:

  • O que está acontecendo?
  • Por que está acontecendo?
  • Aonde está acontecendo?
  • Qual o impacto gerado?

Aí, decida qual será sua primeira intervenção. Escolha considerando impacto, frequência e viabilidade.

Impacto é o quanto a causa afeta o resultado. Frequência diz respeito a quanto o problema se repete. “Viabilidade” significa: o quão rápido é possível agir?

7. Aplique algumas dicas importantes no dia a dia

Entre as quais destacam-se:

  • Tratar o diagnóstico como rotina e não como resposta imediata a crises
  • Escolher um ponto crítico por vez, seja processo, área, etapa ou outro
  • Evitar discutir o problema em grupo antes de consolidar informações
  • Sempre separar exceção de recorrência
  • Desconfiar de conclusões ou explicações que vêm rápido demais
  • Testar pequenos ajustes para validar a análise
  • Apresentar o diagnóstico tanto para decisores quanto para executores

8. Se precisar, busque auxílio especializado

Costumam contar com consultores empresariais, os gestores que notam:

  • Problemas se repetindo mesmo após tentativas de correção
  • Falta clareza sobre por onde começar a análise
  • Conflito de percepções entre áreas ou lideranças
  • Necessidade de acelerar decisões com mais segurança

Ou aqueles cujas empresas estão em crescimento ou mudança estrutural.

Caso você perceba que um olhar interno não vai ser suficiente, busque apoio externo para elaborar e concluir seu diagnóstico da melhor maneira.

Questões de processo, pessoas ou gestão exigem leituras diferentes e, muitas vezes, competências profissionais específicas para aprofundar a análise e orientar os próximos passos. É sobre isso, e tá tudo bem!

No fim das contas, evoluir de verdade não necessariamente significa resolver mais problemas, mas entender melhor o motivo pelo qual eles acontecem.

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